Cristofoli engarrafa uma ‘Coleção’ de rótulos raros

Foto divulgação ( agência Conceito) e edição @Ilovevinhos

A vinícola Cristofoli tem muita história e tradição no Rio Grande do Sul onde tudo começou com uma família de viticultores na região de Faria Lemos há mais de 130 anos. A marca lança os três primeiros rótulos que dão vida a Linha Coleção, que tem apenas vinhos safrados – todos de 2022. A novidade inaugura uma nova fase na Cristofoli, que busca oferecer aos consumidores novas experiências.

Um riesling macerado com uvas desengaçadas manualmente, um espumante sur lie elaborado pelo método ancestral e um tannat resultado de maceração carbônica. Estes são os vinhos da Coleção e a ideia dessa seleção especial nasceu da mente dos jovens enólogos Bruna (35), Letícia (24) e Lorenzo (26), que conduzem a vinícola na Rota Cantinas Históricas, em Bento Gonçalves. Eles desejam trazer a cada safra novos lançamentos alimentados pela criatividade e um trabalho minucioso para extrair o que há de melhor da natureza.

O Cristofoli Coleção Riesling surgiu de uma maneira totalmente diferente. As uvas, colhidas no dia 2 de fevereiro, chegaram muito maduras e foram desengaçadas manualmente, não passando por máquina. Lorenzo, o comandante da operação, explica que junto com ele, a mãe Maria de Lourdes, o tio Mário e mais três colaboradores da vinícola participaram do processo. “Passamos um dia inteiro numa força tarefa, da manhã à noite, desengaçando cacho por cacho. Conforme íamos tirando as baguinhas, automaticamente já colocávamos dentro do tanque, numa afinada sincronia”, explica. A partir daí, o enólogo inseriu as leveduras, iniciando a fermentação sempre com temperatura controlada entre 12 e 14 graus. Depois de quatro dias macerando, o vinho foi descubado sem prensagem e o mosto continuou a fermentação sem as cascas por 15 dias. Depois da fermentação malolática o vinho repousou em tanques, sendo engarrafado no final de junho. O resultado é um vinho com estrutura, volume de boca muito maior, cremosidade, com características minerais e toque químico, inerente a variedade da uva. São apenas 900 garrafas. “O grande diferencial é que este é um vinho branco macerado, o que não é comum no mercado. Ele tem perfil de ter passado por madeira sem passar por barrica”, completa Lorenzo.

Outra raridade da linha com apenas 1.000 garrafas é o Cristofoli Coleção Sur Lie Ancestral Safra 2022, espumante com uvas Pinot Noir e Sangiovese, estas colhidas no vinhedo da família de onde também nascem os emblemáticos Cristofoli Sangiovese Tinto e o Cristofoli Rosé de Sangiovese. O espumante começou a ser elaborado com a prensagem das uvas, que seguiram para fermentação no tanque com controle de temperatura, como de costume no processo de elaboração pelo método tradicional. Ocorreu a deburgagem, primeira clarificação do mosto (decantado para separação das partículas sólidas naturais) e o vinho iniciou a fermentação alcoólica no tanque. Quando estava com aproximadamente 24g/L de açúcar o mosto foi engarrafado, ainda em fermentação. Lorenzo esclarece que este momento é crucial pois se passar demais o espumante fica com pouco gás carbônico, mas se for muito cedo a pressão é tanta que muitas garrafas podem estourar. Assim, o mosto terminou de fermentar dentro da garrafa, incorporando o gás do final da fermentação ao espumante. “Com isso, temos um espumante com uma população muito maior de leveduras, uma autólise mais intensa, que resulta num espumante muito mais fresco e aromas primários”.

Também estreia na linha o Cristofoli Coleção Tannat Safra 2022, elaborado por maceração carbônica, técnica pouco usada para um tinto. O lote tem 2.600 garrafas. As uvas foram colocadas inteiras no tanque, sem o desengace, ou seja, com o cacho intacto. Após, foi feita a saturação com gás carbônico e o tanque permaneceu fechado por uma semana, promovendo reações enzimáticas das uvas, que diminuem a acidez total e formam precursores aromáticos que geram notas, principalmente, lácteas. Após este período de tempo, as uvas foram prensadas e somente o mosto retornou ao tanque. A partir daí ocorreu a fermentação alcoólica, transformando o açúcar em álcool. Como consequência, um vinho com menor intensidade de cor e de taninos, porém muito mais aromático, ganhando complexidade em frutas, o que deixa o vinho muito mais macio, agradável, sem aquela agressividade natural do tannat, por ser um vinho potente. “Buscamos domar este tannat e oferecer um vinho mais fácil de beber”, esclarece Lorenzo.

Vinícola Cristofoli – ERS 431 km 06 – Rota Cantinas Históricas – Faria Lemos – Bento Gonçalves (RS). Horário de atendimento: De segunda a sexta: das 8h às 11h30min e das 13h30min às 18h. Sábados e feriados: das 9h30min às 18h. Domingos: das 12h às 17h.

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