Foppa & Ambrosi inicia nova fase e vinifica Safra 2026 em estrutura própria

Enólogos e equipe da Foppa & Ambrosi no RS

A Safra 2026 é um divisor de águas para a Foppa & Ambrosi. Pela primeira vez desde a criação da marca, em 2017, os enólogos Lucas Foppa e Ricardo Ambrosi passam a vinificar integralmente seus rótulos dentro da própria estrutura, em Garibaldi, na Serra Gaúcha.

Em apenas um mês, a cantina ganhou forma: dos 20 tanques previstos, 14 já estão instalados, além de desengaçadeira, prensa, esteira de seleção, sistema de frio e enchedora. A capacidade produtiva chega a 120 mil garrafas por ano — um salto estratégico que consolida o foco exclusivo na marca.

Até o fim de 2025, a vinificação acontecia em parceria com a Vinícola dos Plátanos, onde Ambrosi atuou por oito anos. A partir de 1º de janeiro de 2026, a dedicação tornou-se integral. “Chegou o momento de viver a Foppa & Ambrosi em tempo integral. Sempre fizemos nossos vinhos com o mesmo cuidado técnico, mas fazer isso dentro da nossa própria vinícola muda tudo. É onde conseguimos colocar ainda mais verdade, precisão e identidade em cada safra”, afirma Ambrosi.

A primeira uva a entrar nos tanques da nova casa chegou em 9 de fevereiro: uma Pinot Noir do Vale dos Vinhedos. O portfólio segue fiel ao conceito de descentralização de terroir, com uvas de diferentes regiões do Rio Grande do Sul, cultivadas por parceiros históricos da marca.

Para Lucas Foppa, a mudança também tem dimensão simbólica. “O Ricardo é o enólogo responsável e o artista dos nossos vinhos, mas esse movimento me fez ver que eu não fiz Enologia à toa. Esse passo reacordou o Lucas enólogo”, diz.

O discurso de ousadia que sempre acompanhou a trajetória da dupla agora se materializa em concreto, aço inox e liberdade criativa. “Os enólogos são os mesmos, os processos são os mesmos. A única diferença é que agora a vinificação acontece dentro da nossa casa”, reforçam.

Mais do que ganho estrutural, a nova fase abre espaço para ampliar experiências. A vinícola prepara um projeto de enoturismo com visitas à área produtiva, conectando o público ao que definem como essência da marca: juventude, vinho autoral e trabalho feito à mão, do início ao fim.

Vinícolas se unem e criam a Associação de Produtores  de Espumantes de Garibaldi

Associação de Produtores  de
Espumantes de Garibaldi (RS)

Reconhecida nacionalmente como a Capital Brasileira do Espumante, a cidade de Garibaldi, na Serra Gaúcha, dá um passo histórico para consolidar ainda mais sua identidade vitivinícola. Acaba de ser fundada a Associação de Produtores de Espumantes de Garibaldi (APEG), durante assembleia realizada na Vinícola Peterlongo — local emblemático onde foi elaborado o primeiro espumante do Brasil, em 1913.

A criação da APEG vem respaldada por números que reforçam a excelência da produção local. Das 6.710 premiações conquistadas por rótulos brasileiros em concursos internacionais, 1.162 foram atribuídas a espumantes de Garibaldi. No Concurso do Espumante Brasileiro, promovido pela Associação Brasileira de Enologia (ABE), que avalia exclusivamente espumantes nacionais, 386 das 2.359 medalhas já conferidas têm origem em Garibaldi. As mais de 40 vinícolas existentes na cidade hoje, produzem anualmente 12 milhões de garrafas de espumantes. Esses dados evidenciam a força e a consistência da cidade na elaboração de espumantes que se destacam no Brasil e no mundo.

A criação da APEG é um passo estratégico e necessário para que possamos caminhar juntos em prol da certificação do espumante de Garibaldi. Somos produtores que compartilham da mesma história, do mesmo território e dos mesmos desafios. A associação surge para nos organizar como setor, promover a excelência do nosso produto e buscar, com legitimidade, o reconhecimento da Indicação Geográfica junto ao INPI”, afirma o presidente Ricardo Morari.

A ideia de criar a APEG começou em dezembro de 2023, quando os produtores locais realizaram a primeira reunião com o objetivo de avaliar o alinhamento do setor em torno de um projeto coletivo voltado à valorização do espumante de Garibaldi como produto típico, cultural e passível de certificação por Indicação Geográfica (IG).

A diretoria da APEG é composta ainda por Guilherme Pedrucci (vice-presidente), Talita Nicolini Verzeletti (1ª secretária), Márcio Dallé (2º secretário), Adalberto Bortolini (1º tesoureiro) e Jones Valduga (2º tesoureiro). A sede da entidade será junto a Apeme Collab, que funciona como um hub de inovação, no centro da cidade. O grupo fundador reúne dez vinícolas: Casa Pedrucci, Chandon, Cooperativa Vinícola Garibaldi, Courmayeur, Estabelecimento Vinícola Armando Peterlongo, Foppa & Ambrosi, Ponto Nero, Vinícola Carlesso, Vinícola São Luiz e Vinícola Vaccaro.

Sem fins lucrativos, a APEG nasce com o propósito de fomentar ações de pesquisa vitivinícola, qualificar o espumante como produto cultural de Garibaldi, promover o enoturismo, defender os interesses dos produtores e atuar de forma ativa na obtenção e preservação da Indicação Geográfica. 

Cooperativa Vinícola Garibaldi apresenta vinhedo experimental e comemora resultados

Vinhedo de cooperado da Garibaldi
em Santa Teresa ( RS)

A Cooperativa Vinícola Garibaldi ( RS) comemora 94 anos de tradição com resultados expressivos e um novo projeto. A Garibaldi comemora os resultados da safra 2025 – recebendo 28,2 milhões de quilos de uva. Com uma estrutura robusta, a cooperativa conta com 470 cooperados, 222 colaboradores diretos e uma área de cultivo de 1,2 mil hectares. Em 2024, a Cooperativa Vinícola Garibaldi alcançou um faturamento de R$ 307 milhões.

A tradição da cooperativa caminha lado a lado com a inovação aplicada aos processos de produção das uvas.  A Garibaldi está investindo em um projeto inovador: o vinhedo experimental.

Em parceria com seus cooperados, cerca de 50 variedades estão sendo cultivadas e avaliadas a partir de testes de adaptação nos vinhedos. A ideia é identificar quais as que apresentam maior adaptação ao clima da Serra Gaúcha para, assim, buscar alternativas às constantes mudanças das condições climáticas. 

“O objetivo é verificar a adaptação ao terroir local e às mudanças climáticas e posteriormente, o potencial enológico dessas variedades”, explica o gerente de Assistência Técnica da Cooperativa, Evandro Bosa.

Atualmente, são quatro hectares com variedades sendo testadas. Todas são oriundas da Europa, de diferentes países – Portugal, Itália, Espanha, Geórgia, Ucrânia, Romênia, Grécia, Hungria e República Tcheca. Cada fileira do vinhedo contém uma variedade diferente, o que impõe um desafio extra no cultivo, já que o tratamento e o período de cada processo variam conforme a época do ano.

Inicialmente, a ideia era buscar variedades tradicionais, como Prosecco, Trebbiano, Chardonnay e Pinot Noir, mas se iniciaram também experimentos com as variedades mais resistentes oferecidas pelo viveiro italiano – em um processo que incluiu o próprio vinhedo experimental, a avaliação da adaptação das variedades em diferentes condições climáticas e microvinificações para avaliar o potencial enológico e o perfil aromático, comparando com variedades tradicionais. “Hoje, são 17 variedades oriundas do vinhedo experimental que estão em processo de microvinificação”, comenta o enólogo da Cooperativa Vinícola Garibaldi, Ricardo Morari.

O processo determina se essas variedades vão ao encontro das demandas de mercado – levando em consideração o desempenho da produção no campo, o potencial de mercado, perfil aromático, maturação, perfil de vinho e um comparativo com variedades mais consolidadas. “Estamos em processos avançados de análise para o lançamento de novos rótulos a partir dos bons resultados em microvinificações com parte dessas variedades – a exemplo do Pálava e do Viogner, que passaram por processos semelhantes antes de serem apresentados ao mercado”, complementa Morari.